quinta-feira, 29 de setembro de 2011

SENADO APROVA LEI QUE OBRIGA ESCOLAS A MANTEREM ALUNOS CASO PROFESSOR FALTE

28 de setembro de 2011
SENADO APROVA LEI QUE OBRIGA ESCOLAS A MANTEREM ALUNOS CASO PROFESSOR FALTE
Projeto foi aprovado em decisão terminativa na Comissão de Educação

As escolas do ensino fundamental e médio (antigo primeiro e segundo graus) não poderão mandar os alunos menores de idade de volta para casa, no caso de um ou mais professores faltarem, independentemente do horário em que estudam.
A medida consta em um projeto de lei aprovado nesta terça-feira (27) pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, em decisão terminativa.
O texto aprovado pela comissão prevê que, no caso de ausência de professores, os estudantes deverão receber atividades de ensino complementares, respeitando-se a faixa etária e a grade de disciplinas previstas na proposta pedagógica da escola.
Para os alunos maiores de idade, a permanência na escola é opcional - mas a oferta de atividades complementares é obrigatória para o colégio.
O relator do projeto de lei, senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), afirmou que é errado mandar os alunos para suas casas quando há falta de professores, em entrevista à Agência Senado.
- É imprudente, indevido e equivocado que alunos de educação básica sejam encaminhados para suas casas quando há falta de professores, muitas vezes sem que os pais ou responsáveis sejam comunicados.

A senadora Ana Rita (PT-ES), autora de uma das emendas ao texto original, enviado pela Câmara dos Deputados, disse concordar com a redação do projeto substitutivo.
Por sua vez, a senadora Marinor Brito (PSOL-PA) alertou para a necessidade de se debater como será feita a ocupação do tempo na escola quando houver falta de professores.
O projeto será submetido, ainda, a uma votação suplementar na próxima reunião da Comissão de Educação do Senado.
*Com informações da Agência Senado

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Festival de Teatro de Fortaleza abre as cortinas para 7a edição

Espetáculos descem dos tablados e ganham praças e terminais em uma aproximação da arte com a população fortalezense


Facilitar o acesso das pessoas que não costumam frequentar as salas de espetáculo consagradas, chegando mais próximo da onde o cotidiano de Fortaleza se desenrola. Os milhares de fortalezenses que passam pelos terminais de ônibus da cidade e pelas praças das seis secretarias regionais são o principal foco do VII Festival de Teatro de Fortaleza (FTF) e serão espectadores de 30 espetáculos de grupos locais.

Risos, encontros, dramas, vão se espalhar sobre o concreto da cidade e pelas ruas de Fortaleza num apelo teatral. O evento, com o tema “A Cidade como Palco”, pretende tornar a correria da grande metrópole mais alegre e cheia de cores durante a semana de 10 a 16 de outubro. Este ano serão investidos pela Secultfor R$ 410mil para cachês dos grupos, a realização das oficinas e toda a produção do evento.
E tudo começa pela rua. A abertura do Festival acontece com a realização de um cortejo teatral que sai do Theatro José de Alencar (TJA), às 9hs, segue pelas ruas General Sampaio e Guilherme Rocha e na Praça do Ferreira ocorre a exibição de grupos de malabaris, artistas circenses, atores, grupos de percussão. Em seguida, o grupo faz o caminho de volta para o TJA onde encerra a abertura do Festival.
Realizado pela Prefeitura Municipal de Fortaleza (PMF), através da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), o Festival estará ainda nos palcos dos teatros do CUCA Che Guevara, José de Alencar, SESC Emiliano Queiroz, Marcus Miranda do Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ) e do Centro Cultural Banco do Nordeste, além de se fazer presente nas praças mais movimentadas do Centro da cidade - José de Alencar, Praça do Ferreira, Praça do BNB e Passeio Público. A abertura do FTF traz como convidada a Companhia Paulista de Teatro Latão, que apresentará o espetáculo ‘A Ópera dos Vivos’, às 19h, no Theatro José de Alencar. O acesso às peças será gratuito.

Voltado para o intercâmbio entre os grupos e produções locais e com enfoque na questão da formação artística, o Festival terá espaço para uma mostra de teatro nos bairros, oficinas, ações artísticas e educativas, desenvolvidas nas escolas municipais, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SME), e shows musicais no Passeio Público. “O movimento teatral organizado de Fortaleza, reconhecido como um dos mais atuantes do Brasil, também é parceiro na construção desse evento, que abraça a capital cearense numa grande festa de encontro entre a fantasia e a realidade, os artistas e o público, a arte e a vida”, ressalta a diretora e coordenadora de teatro da Secultfor, Herê Aquino.

A seleção dos 30 espetáculos participantes foi feita por uma curadoria escolhida pelo Fórum de Teatro e pela Secultfor, sendo três representantes do segmento teatral e dois da secretaria da Cultura. Os 30 selecionados abrangerão espetáculos voltados para o Teatro de palco Italiano, o Teatro de Bonecos, Teatro de Rua, Contação de História e uma Mostra de Teatro de Bairro. Haverá ainda homenagem ao Curso de Princípios Básicos de Teatro do Theatro José de Alencar, que completa 20 anos em 2011.

Nesta 7a edição, o FTF vai privilegiar a realização de oficinas e seminários. Serão três Seminários: “Teatro e Educação”, “O Teatro de Grupo e os Caminhos que Apontam As Políticas Nacionais, Estaduais e Municipais de Incentivo à Cultura” e o “Papel da Imprensa na Construção do Olhar sobre a Arte e a Cultura na Cidade”.

Na programação, em diversas mostras, vemos um panorama de espetáculos que estiveram em cartaz em Fortaleza: “Sakura Matsuri – O Jardim das Cerejeiras” com Grupo Teatro Mimo, “Ivanov” com a Cia. de Teatro Máquina, “Barrela”, com Grupo Imagens, “A Revolta das Coisas”, com Grupo Pavilhão da Magnólia, “A Noiva e o Condutor” com Coral de Artes Cênicas do IFCE, “Detestinha - o Bicho que Detesta Ler” com Circo Tupiniquim – Boneco e “O Maligno Baal” com Grupo Experimental de Teatro, são algumas das peças selecionados. Confira a lista completa no blog Divirta-CE (www.divirta-ce.blogspot.com).

Sete dicas para estudar no Youtube

Confira sete canais de vídeos interessantes para estudar:
Matemática
No canal Só Matemática você encontra vídeos sobre diversos conteúdos, como Teorema de Tales, geometria e Matemática financeira.
Neste vídeo, o professor resolve algumas questões do Enem:

Geografia
No canal Só Geografia há vídeos para estudar sobre energia, processos migratórios, indústria e aquecimento global.

História
No canal do professor Tiago Menta há aulas que abordam desde a pré-história e o feudalismo até a história recente do Brasil, como Ditadura Militar e Governo Lula.

Já o canal História X Ciência traz vários documentários muito legais que misturam ciência e história e abordam assuntos como rituais astecas, racismo, pandemias e maconha.
Este programa traz o debate Criacionismo X Teoria da Evolução de Darwin.

Biologia
O canal de Biologia traz vídeos que explicam a divisão celular e teorias da evolução.
Química

O canal Vestibulândia tem muito material sobre química e também sobre matemática. Há aulas que abordam os conceitos iniciais de química, para entender átomos e compostos, e muitos vídeos sobre geometria.

Conteúdo Geral
No Canal Educa Bahia há dezenas de vídeos de várias disciplinas. Abaixo, uma aula de literatura sobre Machado de Assis.

APRENDA A CHAMAR A POLÍCIA!...

APRENDA A CHAMAR A POLÍCIA!...

Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa.

Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro.

Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado, mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali,espiando tranqüilamente.

Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço. Perguntaram- me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa. Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.
Um minuto depois liguei de novo e disse com a voz calma:

-Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro fez um estrago danado no cara!
Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.

Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado.
Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.

No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:
-Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.

Eu respondi:

- Pensei que tivesse dito que não havia nenhuma viatura disponível.

(Luiz Fernando Veríssimo)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

“CASA ARRUMADA…



Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um
cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os
móveis, afofando as almofadas…
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida…
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto…
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos…
Netos, pros vizinhos…
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca
ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias…
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela…
E reconhecer nela o seu lugar.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Vygotsky e o conceito de zona de desenvolvimento proximal



Para Vygotsky, o segredo é tirar vantagem das diferenças e apostar no potencial de cada aluno

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Nascido na Bielorrússia, Vygotsky viveu seus anos mais produtivos sob a ditadura de Stalin, na antiga União Soviética. Teve seus livros proibidos e morreu cedo, aos 37 anos. Foto: Reprodução
Censura e vida breve Nascido naBielorrússia, Vygotsky viveu seus anos mais produtivos sob a ditadura de Stalin, na antiga União Soviética. Teve seus livros proibidos e morreu cedo, aos 37 anos
Todo professor pode escolher: olhar para trás, avaliando as deficiências do aluno e o que já foi aprendido por ele, ou olhar para a frente, tentando estimar seu potencial. Qual das opções é a melhor? Para a pesquisadora Cláudia Davis, professora de psicologia da Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), sem a segunda fica difícil colocar o estudante no caminho do melhor aprendizado possível. "Esse conceito é promissor porque sinaliza novas estratégias em sala de aula", diz Cláudia. O que interessa, na opinião da especialista, não é avaliar as dificuldades das crianças, mas suas diferenças. "Elas são ricas, muito mais importantes para o aprendizado do que as semelhanças."

Não há um estudante igual a outro. As habilidades individuais são distintas, o que significa também que cada criança avança em seu próprio ritmo. À primeira vista, ter como missão lidar com tantas individualidades pode parecer um pesadelo. Mas a pesquisadora garante: o que realmente existe aí, ao alcance de qualquer professor, é uma excelente oportunidade de promover a troca de experiências.

Essa ode à interação e à valorização das diferenças é antiga. Nas primeiras décadas do século 20, o psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934) já defendia o convívio em sala de aula de crianças mais adiantadas com aquelas que ainda precisam de apoio para dar seus primeiros passos. Autor de mais de 200 trabalhos sobre Psicologia, Educação e Ciências Sociais, ele propõe a existência de dois níveis de desenvolvimento infantil. O primeiro é chamado de real e engloba as funções mentais que já estão completamente desenvolvidas (resultado de habilidades e conhecimentos adquiridos pela criança). Geralmente, esse nível é estimado pelo que uma criança realiza sozinha. Essa avaliação, entretanto, não leva em conta o que ela conseguiria fazer ou alcançar com a ajuda de um colega ou do próprio professor. É justamente aí - na distância entre o que já se sabe e o que se pode saber com alguma assistência - que reside o segundo nível de desenvolvimento apregoado por Vygotsky e batizado por ele de proximal (leia um resumo do conceito na última página).

Nas palavras do próprio psicólogo, "a zona proximal de hoje será o nível de desenvolvimento real amanhã". Ou seja: aquilo que nesse momento uma criança só consegue fazer com a ajuda de alguém, um pouco mais adiante ela certamente conseguirá fazer sozinha (leia um trecho de livro na terceira página). Depois que Vygotsky elaborou o conceito, há mais de 80 anos, a integração de crianças em diferentes níveis de desenvolvimento passou a ser encarada como um fator determinante no processo de aprendizado.

domingo, 3 de julho de 2011

Os contos de fadas na educação infantil



Publicado em 3 de julho de 2011 
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A Literatura Infantil é um gênero que pode ser definido através de seu destinatário ou consumidor. Difere-se das demais Literaturas por sua forma, estilo e assunto apresentados: preferencialmente temas que estejam intrinsecamente ligados ao interesse da criança. Esse ensaio visa discutir as relações entre os contos de fadas e a educação infantil, a importância desse tipo de narrativa para as crianças, na escola, ressaltando sua relevância para o desenvolvimento da imaginação e o incentivo à criatividade como aspectos fundamentais para a formação do seu caráter e aprendizagem da língua
Compagnon (1999, p. 31-33) argumenta que em suas origens, a Literatura Infantil surgiu como uma forma literária menor, relacionada à função utilitário-pedagógica. Em latim, litteratura vem de littera que significa letra do alfabeto. O termo foi mudando de acordo com os contextos e as culturas. No século XIV literato era o indivíduo de sabedoria, ciências e letras, no Renascimento o termo caracterizava a pessoa como culta; na idéia clássica Literatura correspondia a todos os livros que havia na biblioteca, não somente a ficção, mas também de Filosofia, Ciências. Na concepção romântica, Literatura era tudo o que os cânones escreviam.

A Literatura infantil e a escola estão intimamente ligadas uma vez que as crianças frequentam a escola e para que tenham acesso à leitura dos contos faz-se necessário que aprendam a ler. Nesse sentido, percebe-se, pelo fato da Literatura infantil e a escola possuírem esse extremo vínculo, que muitas obras dedicadas a este público acabam tendo um cunho pedagógico.

O literário
Compagnon (1999, p. 36-40) enfatiza que na contemporaneidade, o conceito de Literatura é muito vasto, vai dos consagrados clássicos até os livros para crianças. Na busca de elevar o caráter literário de algumas obras, busca-se caracterizá-lo não pela teoria literária, mas pela Sociologia, pela Psicologia e pela Pedagogia. Dessa forma a conceitualização de uma obra literária vai além da Literatura. Além disso, o conceito de literário traz em sua definição a idéia de que para ser realmente literária a obra deverá desempenhar algumas funções tais como: a possibilidade de autoconhecimento, sair do individualismo e atravessar o outro e ser uma fortaleza contra a barbárie. (...) A Literatura infantil caracteriza-se por sua opacidade, é conotativa, complexa, faz uso do imaginário, da função estética e poética, extrapola, sem fim prático, o material linguístico, produz também uma rede metafórica que se faz presente no texto escrito, na ilustração, e no entre-lugar híbrido da junção das linguagens.

Origens e características
Busatto (2006, p. 86) argumenta que a partir do momento em que falar não foi mais suficiente para estar no mundo, o homem começou a pensar em suportes e maneiras criativas para organizar esta aquisição: a escrita. Dessa maneira, selou a passagem nunca concluída de uma existência oralmente configurada, ouvida e compartilhada comunitariamente, para a existência de um mundo a ser lido. A palavra conto pode ser entendida em português sob o sentido de historieta, fábula ou narração, entre outros. Desde a Idade Média o verbo contar tem sido usado com o sentido de enumerar, relatar, tendo como sentido de conto uma narrativa. O ato de narrar fatos, acontecidos ou não, é tão antigo quanto a humanidade, está associado ao momento em que o homem começa a conviver em pequenos grupos ou comunidades, tendo como consequência a gênese das sociedades modernas.

O conto
Moisés (2001, p. 37) considera que o conto é, do prisma de sua história e de sua essência, a matriz da novela e do romance, mas isto não significa que deva poder, necessariamente, transformar-se neles. O conto, apesar de sua aparência singela, por ser na maior parte das vezes de extensão reduzida e por conter poucas personagens, é, na realidade, uma narrativa que pode vir a ter uma estrutura bastante complexa; constitui-se de um enredo, personagem ou personagens, tempo, espaço, foco narrativo; constitui-se de uma célula dramática, contendo um só conflito e uma unidade de ação, sendo evitados os excessos e as divagações. Segundo Coelho (1985, p. 112) nos contos de fadas a unidade dramática é muito comum; a estrutura narrativa predominante nessas histórias é simples: um só núcleo dramático do qual dependem todos os episódios que compõem a intriga.

Singularidades
Nos contos de fadas, o narrador preferencial é o de terceira pessoa onisciente, observador. Esse tipo de narrador acentua o tom narrativo do texto muito mais que o narrador em primeira pessoa, cuja tendência é de introspecção e confissão. O epílogo do conto, geralmente, corresponde ao clímax da história, é, em geral, enigmático e surpreendente para o leitor, que se vê surpreendido por um desfecho imprevisível.

A origem do conto é desconhecida, mas se considera que esse tipo de narrativa tenha sido a precursora de outras formas literárias, visto que se pode considerar alguns textos bíblicos como sendo contos.

Os contos de fadas eram escritos, a princípio, mais para os adultos do que para as crianças e mais para as camadas inferiores e extremamente exploradas. Acredita-se que a responsabilidade pela criação dos contos deva-se somente à imaginação e experiência dos escritores, pois tais narrativas nasceram ou de acontecimentos reais, contados e recontados pelo povo ou de lendas inventadas por gerações e gerações de narradores anônimos.

Os celtas
Coelho (1991, p. 75) afirma que o povo celta foi o que mais influenciou os demais a respeito da convivência humana, à espiritualidade e às questões religiosas, exaltando o imaginário; atuaram em todo processo de formação e transformação da cultura do Ocidente. Foi entre eles que surgiram as fadas que eram mulheres sobrenaturais. Ela ressalta, em seu livro O Conto de Fadas, que etimologicamente, a palavra fada vem do latim fatum = destino, fatalidade, oráculo... Estes seres fantásticos ou imaginários, de grande beleza, mestras da magia quase sempre ligadas ao amor, se apresentam em forma de mulher, surgem nas narrativas para, com seus poderes, auxiliarem os homens em situações difíceis ou, quando não, praticamente impossíveis.

LUISA HELENA DE QUEIROZ LOPESCOLABORADORA*
* Do Curso de Letras da Uece
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Os contos de fadas são narrativas com ou sem a presença de fadas que apresentam como núcleo a realização do herói ou da heroína através de provas ou obstáculos que serão vencidos, como se fosse um ritual iniciático para autorrealização existencial. Esse tipo de conto surgiu de várias fontes e com problemáticas muito diferentes com variadas origens. Os contos de fadas, de modo geral, têm conteúdos morais implícitos, ensinamentos que são passados de forma espontânea, já que os conteúdos éticos têm como veículo o lúdico. A criança em sua formação, tanto moral como cognitiva, recebe a influência dos pais, que a acompanham nas experiências da vida infantil e, além disso, há a ascendência da herança cultural quando transmitida de maneira natural. Os contos de fadas e a Literatura de um modo geral canalizam melhor essas informações para que a criança desenvolva sua mente e personalidade.